Nossa pauta de hoje começou a ser discutida através da falta de outdoor em nossa unidade.
Pensamos que não ter a placa em nossa unidade acaba por não nos identificar, não dizer quem somos nós e pra que serve este serviço de saúde mental.
Ficamos anônimos.
Ao mesmo tempo, sabemos que, infelizmente, existe um preconceito das pessoas que, quando veem a identificação do serviço, querem passar longe.
Entretanto, muitos que precisam do serviço, sem a placa de identificação, ficam sem saber que aqui poderiam buscar ajuda em saúde mental.
Após discutirmos sobre ter ou não ter uma placa de identificação do serviço, passamos a refletir sobre o preconceito que sofremos e que, em alguns momentos, também fomos preconceituosos.
"Rola o preconceito. Já neguei o tratamento, porque não queria assumir a doença. A placa que me espantou! Já sofri preconceito de amigos, que inclusive também precisavam de ajuda." - Alfredo
"Eu estava sentada no banco, quando entrou essa senhora que é minha amiga na igreja. Ela me perguntou:
- O que você está fazendo aqui? Aqui só tem pessoas loucas!
- Estou me tratando - respondi
- Você que sabe, estou indo embora. Vou rezar por você!" - Yara
"Qualquer coisa chamam de louco! Só porque estou aqui me chamam de louco!" - Marcelo
"Está nos atos das pessoas" [a loucura]. "O que fizemos de anormal? Somo doentes, não loucos!" - Marcelo
"Quem vem aqui acha que se entrar vai ficar louco" [risos] "Louco é aquele que faz loucura!" - Marcelo
O preconceito vem desde a época do Anchieta - antigo hospital psiquiátrico do município de Santos/SP - somente depois foram organizados os CAPS, porém o preconceito continua.
Há também o preconceito em relação à medicação...
"O que tem que mudar em relação ao CAPS é o conceito que as pessoas tem sobre o serviço!" - Radyr
Essas são nossas placas fixadas internamente no serviço.
A visibilidade traz conhecimento.
A harmonia traz a esperança.
A saúde traz benefícios.
O preconceito traz ignorância.
E aí pensamos...
O que é normal?
O que é padrão?
O que é loucura?
Somos todos diferentes, mas somos todos iguais.



















